A designer e professora Ana Branco leva uma vida bem longe dos padrões convencionais. Ela ensina essa forma diferenciada de ver o mundo numa disciplina na PUC Rio chamada “Biochip”. A matéria é livre para todos os alunos da PUC e também é aberta para qualquer um que queira fazer parte desse aprendizado. Com uma mistura de biologia, química, filosofia, nutrição e por ai vai, a aula é basicamente sobre lidar com a coisas vivas da terra e como podemos levar uma vida realmente sustentável.
Ana conta que o nome “Biochip” vem de uma analogia com as moléculas de informação encontradas em todos os seres vivos.
Ana Branco: Tudo que tá vivo na Terra: gente, bicho, fruta, pedra... Tudo tem silício dentro de molécula de água. O silício é responsável pelo armazenamento de informações. Então, por exemplo, se eu pego esse “chip”, que contém silício, e coloco dentro de uma panela e acendo um fogo, a molécula de água se rompe e o silício não pode mais ser acessado. Rupert Sheldrake, William Watson, são físicos que explicam isso. Então, por conta disso, eu botei o nome Biochip, porque tá vivo, é um chip vivo.
Alunos de todos os cursos procuram a aula da Ana. Tem estudante de engenharia, de geografia, de comunicação; como foi o caso de Luiza Dreyer, estudante de cinema, que hoje atua como monitora da turma (uma ajudante da professora). As aulas causaram mudança profunda em sua vida e desde então ela partilha da mesma dieta da Ana, o “Crudivorismo”, no qual sua alimentação é baseada em alimentos crus, fermentados, germinados ou amornados em temperatura que a mão suporte, os chamados Alimentos Vivos.
@banai.eyes
As aulas acontecem em uma tenda de bambu, no meio de árvores. O chão é de terra e a sala é cheia de almofadas de folhas secas. Não há cadeiras nem mesas convencionais. Todos sentam em roda. Miguel Prates, aluno de design, diz que a estrutura da sala colabora com a metodologia apresentada.
Miguel Prates: Com a Ana a gente faz o designer social real. Então, ter uma aula onde o espaço possibilita uma construção horizontal pela própria organização espacial já proporciona, meio que inconscientemente, essa interação social.
Uma visão mais coletiva e sustentável da vida é transmitida em tudo que a Ana faz. Como a feira orgânica que ela organiza todas as quartas-feiras na própria universidade. A voluntária Nanda Santos explica que além da venda de alimentos também ocorre um trabalho social com crianças de escolas públicas dos arredores da Gávea.
Nanda Santos: Geralmente sábado e domingo é disponibilizado no site a lista de alimentos. As pessoas encomendam online e quarta-feira elas vão buscar. A ideia não é necessariamente aumentar o número de consumidores orgânicos, mas aumentar o número de solidários. Se você vem na feira e ajuda por 2 ou 3 horas, você paga um preço mais barato. E o intuito é gerar essa troca comunitária. E sobre as crianças é apresentar a germinação de sementes, que potencializa em até vinte mil vezes esses grãos que são germinados, e criar um contato com o alimento orgânicos, porque, na maioria das vezes, as crianças nem reconhecem folhas, verduras ou legumes, por não terem muito contato.
Essa filosofia de vida parte de uma vivência de mais de vinte anos com os Alimentos Vivos. Ana afirma que essa dieta reconecta o ser humano com o todo, propiciando novas possibilidades de reflexão e potencializa a criatividade e a comunicação entre os seres. A professora tem uma coleção de experiências que a maioria das pessoas considerariam "estranhas". Como a vez que ela machucou feio o braço e, no dia seguinte, acordou com a ferida cheia de formigas. Ela aguardou e, depois de certo tempo, as formigas simplesmente foram embora e seu machucado estava cicatrizado. Ela costuma dizer que ultimamente quem mais vem lhe ensinando é um gambá que frequenta sua casa em Jacarepaguá, na zona Oeste do Rio.
Ana Branco: Eu parti um coco, achei que estava diferente dos outros e ai eu joguei fora. Quando eu fui colocar outro lixo, eu encontrei o coco meio comido, e estava perfeito. Ou seja, a gamba tinha arranhado toda a parte que não servia do coco, e por baixo estava a parte boa, limpa e saborosa. Eu, então, peguei o coco, lavei e depois comi. E realmente o coco não estava ruim.
Outro projeto peculiar da professora é uma casa que ela tem no meio de um mangue, na Pedra de Guaratiba. O lugar serve de pesquisa sobre assentamento de moradia em condições de extrema instabilidade ambiental. Ela conta que vários biólogos fazem estudos nesse espaço e gosta de brincar dizendo que um de seus primeiros contatos com um especialista se deu através das flores do mangue.
Ana Branco: Fiz um caminho de pedra brita pra poder caminha melhor sob o mangue. E no meio da brita nasceram umas flores, lilás, lindas. E eu comecei a evitar pisar nelas, passava por cima, e fui cuidando delas. Fiquei muito encantada e ficava pensado nelas, conversando também. Até que um dia eu recebi um recado de um biólogo, especialista em flor de mangue, queria entrar em contato comigo, para ir lá fazer uma pesquisa. Ai eu pensei “como ele me achou?, acho que foram as flores que estabeleceram esse contato né?!” (risos).
Quase um universo paralelo, Ana não só tem uma ideologia diferente como a coloca em prática e transforma a realidade dela e de quem passa por sua vida. Sua revolução vem de dentro para fora e, aos poucos, da sua tendinha ela vai revolucionando o mundo.
@banai.eyes
Para ver mais imagens de uma aula de Biochip, feitas por mim, clique aqui
Reportagem Jaqueline Banai
Dica: http://www.curaeascensao.com.br/alimentacao_saude/alimentacao_viva/alimentacao5.html
Esse link fala sobre uma palestra da Ana, explicando um pouco mais sobre alguns termos citados no post.
Vale a pena conferir!
Esse link fala sobre uma palestra da Ana, explicando um pouco mais sobre alguns termos citados no post.
Vale a pena conferir!
Que legal! Parabéns pela matéria!
ResponderExcluirQue legal! Nunca soube dessa disciplina! Muito interessante
ResponderExcluirManeiro, sempre me perguntei o que era Biochip.
ResponderExcluirAi que legal!! to doida para pegar essa materia
ResponderExcluirAna Branco é super criativa, já entrevistei ela na TV PUC
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